30/07/09
Cimos Nublados e Geografia
por Caio Sena
“A chapada antes de mais nada é um fenômeno geológico”
Luiz Lima, também conhecido como Lula, lançou a segunda edição do seu livro Entre Cimos Nublados Uma Solidão Selvagem, durante o IX Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. A primeira edição foi esgotada em meados de 2005. Durante esse vácuo de quatro anos as pessoas voltaram a perguntar sobre o livro. "Na segunda edição, acrescentei três artigos, mudei o formato e retirei as fotos, mas a estrutura do livro é a mesma", contou.
Durante o lançamento, Luiz contou a história que deu origem ao livro."O livro foi escrito por si mesmo. Nós fizemos uma expedição em 1988, em homenagem a Brigadeiro Lysias Rodrigues, que teve uma importância literária e cultural, pois escreveu umas 70 páginas sobre a nossa região, sendo um dos primeiros a citar: São João D'Aliança, Alto Paraíso e Cavalcante. Brigadeiro contou uma vez no seu livro - O Rio dos Tocantins - "Em cima o planalto coroado de nuvens, a impressão da solidão selvagem" e foi a partir dessa frase que começa a história do meu livro", começou o autor.
Em seguida, ele explicou um pouco sobre a volta da expedição. "Quando voltei da expedição, eu estava meio amargurado, triste porque a expedição não foi muito boa. Era setembro ou outubro, eu olhava muito as camadas de nuvens que nevoavam toda a cidade. Aquilo ficou como um mote, que eu comecei a brincar... Por entre cimos nublado uma solidão selvagem, entre cimos nublados uma solidão selvagem, ou talvez mais seco: cimos nublados solidão selvagem... Essa brincadeira foi minha alma literária, uma espécie de alter ego que começou a falar para eu escrever. Comecei a partir disso, por esse motivo o título é assim. Muita gente não entende, é bom explicar: cimos quer dizer o ponto mais alto, nublado, em volta ou entre nuvens, solidão tem vários sentidos, minha solidão existencial, cultural, política, a também a solidão do meu ser que fica implícita. Essa mesma solidão também é selvagem, porque ela é rebelde, não se conforma, grita de raiva e dor, este seria o lado subjetivo", explicou.
O lado objetivo da palavra solidão está vinculada a própria ideia do Planalto, do Cerrado. "Foi esse título que impulsionou o livro, que transformou alguém que não é escritor em escritor" revelou.
Essa história explica a construção do livro, que é dividido em três partes. A primeira foi baseada em uma experiência turística: "Itinerário Brasília-Veadeiros", a segunda é a "Pequena história de uma grande Chapada", e a última "O quadro natural".
Luiz contou ainda que o livro tem um toque parnasiano, como nos livros escritos por viajantes. Por exemplo a utilização da palavra perlustrando "seria o andar reconhecendo as coisas, andar meio perdido, descobrindo as coisas...", explicou.
Quanto ao formato do livro, que é uma edição de bolso, Luiz brincou dizendo que livro bom é o que fica de pé. O primeiro livro era fino, já este tem orelha e a capa é mais dura. O livro foi pensado para que as pessoas pudessem levar a um passeio ou carregar para qualquer lugar.
Uma leitura mais profunda, detecta algumas alfinetadas em relação aos aspectos cultural e arquitetônico, mas por outro lado, a geografia da Chapada é muito elogiada, o que mostra o interesse e a admiração do autor pela região.
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