30/07/09
Um pouco da África em São Jorge
por Gabriela Marques
Show com o senegalês Mamour Ba impressiona o público na noite desta quarta-feira
Dércio Marques já cantava a última música de sua apresentação e a expectativa pelo próximo show já tomava conta das pessoas. Ao som de sua viola, Dércio chama ao palco o senegalês Mamour Ba, que entrou acompanhado de seu filho Cheikh e de Gabriel, integrante do grupo Conexão African Beat, idealizado por Mamour.
A plateia, que estava sentada durante o belo show de Dércio, se levantou. O som dos thiuns e do balafon (instrumentos de percussão) já davam uma mostra do que seria o show. Mamour ficava por conta do djembe e da voz que sabe usar de uma forma espetacular para dar ritmo às suas músicas.
A batida dos tambores aproximava as pessoas junto ao palco, que se rendiam ao som de origem africana. Mamour aproveita para fazer o primeiro contato com a plateia, mostrando que mesmo com um português cheio de sotaque consegue conquistar o público e fazer com que todos participem da apresentação. "O público daqui é muito quente, envolvente. Para mim, foi uma experiência inesquecível", conta Mamour.
"Vamos fazer música juntos", anunciou. E assim, todos os sons feitos por Mamour, eram repetidos em um grande coro. As palmas completaram o show. Em seguida, foi a vez de uma canção no dialeto africano de Mamour, chamada M'beugueil, que em português significa Como Amar. A música, que fala sobre como nasce o amor e de que forma um homem pode amar uma mulher infinitamente, foi ouvida por todos, atentamente.
Sem usar uma palavra, Mamour usou a voz para cantar a melodia de Asa Branca, mostrando a proximidade entre as culturas africanas e brasileira. Essa foi uma pequena mostra da proposta de trabalho do grupo Conexão African Beat. "Quando as raízes dos dois países se somam, quem sai ganhando é o povo, porque as heranças ficam para sempre", explica Mamour.
Durante a apresentação, o tempo parecia ter passado rápido demais. O envolvimento era tão grande que as pessoas nem se deram conta que o show chegava ao fim. Os pedidos por mais músicas foram ouvidos e Mamour colocou o filho para tocar o djembe e mostrou ao público como ele aprendeu a tocar o instrumento.
Mamour fazia com a boca os sons que queria ouvir do djembe. A brincadeira começou com sequências curtas que eram ouvidas por Cheikh e depois tocadas. O público assistia atentamente e se impressionava com o jovem de 17 anos. As sequências ficavam cada vez maiores, até que Mamour fez uma com mais de um minuto de duração. Cheikh não hesitou e repetiu o novo desafio deixando o público perplexo.
Os gritos e as palmas deixavam o pai ainda mais orgulhoso. "É muito emocionante viver isso. Foi um presente de Deus, porque ele é um companheiro que tenho", conta Mamour com um sorriso no rosto. Quando perguntei sobre como eles ensaiam essa parte do show, ele respondeu, de forma simples, que a única coisa que seu filho faz é ouvi-lo. "O ser humano precisa aprender a escutar", completou.
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