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30/07/09
Mamour Ba, diálogo com os tambores
por Sinvaline Pinheiro

O músico, percussionista, cantor e arranjador Mamour Ba é senegalês, mas há mais de vinte anos reside em Minas Gerais.

Possui mestrado em música pela Universidade de Versailles na França e seu trabalho é conhecido em todo o mundo. Criou uma escola de aprendizagem musical que resgata os ritmos tribais formando músicos, artistas e instrumentistas em técnicas de tambor, djembê, congas, tambores de base, canto, violão, interpretação, dança e outras.

Seu filho Cheikh Ba é solista e tecladista do Conexão African Beat, grupo idealizado por Mamour Ba.

Mamour Ba na oficina de percussão enfatiza bem que o primeiro sentido da aprendizagem é a paciência, e explica:

-Paciência não se adquire com alguém falando, ela é trabalhada. É necessário trabalhar com as máscaras, retirando uma a uma...

Segundo ele, na África a percussão leva até oito anos para que se comece a batucar um tambor. Critica pessoas que assistem uma ou duas aulas e dizem ser percussionistas. Além da necessidade de um bom professor, existe o tempo para se trabalhar a paciência e o ritmo.

- O aluno precisa aprender a tocar sem se cansar, respeitar o caminho do ritmo, o preparo de escuta...

O mestre deixa bem claro que o tambor é um instrumento difícil de se tocar pois ele necessita do equilíbrio entre uma mão e outra:

- O tambor é um instrumento nobre, tem que se tocar elegantemente, é um instrumento que passa o código e só os calos das mãos podem dizer quem é bom percussionista!

Para Mamour Ba o segredo do bom professor é passar muito tempo com o aluno, dez ou quinze anos ou mais e ainda comerem juntos, testando a paciência e aprendendo a dialogar com os tambores.

A disciplina é fundamental para a aprendizagem da percussão, sem ela é com se jogar energia fora, diz ele. O aluno aprende desde a manutenção, a forma de carregar e ainda a conversar sozinho com o instrumento.

E complementa sorrindo:

- O mais difícil é fazer o aluno ficar sentado e ouvir...

Mamour Ba e seu filho, com vivência rítmica e a improvisação balançaram o grande público no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

No palco o djembê chama e numa cumplicidade sem igual os tambores de Cheikh Ba respondem. Pai e filho se harmonizam; um olhar ou um sorriso e o ritmo se estende por caminhos variados.

Ao som dos tambores, das improvisações de Mamour Ba em gritos tribais fortes e também suaves, o coração da África  ressoou forte na noite de São Jorge.

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