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01/08/09
"Tiro minha energia do amor"
por Caio Sena

Lia de Itamaracá concedeu entrevista ao Encontro de Culturas logo após sua apresentação no palco. Confira.

Lia de Itamaracá, para começar a entrevista, você podia falar um pouco de onde você tira essa alegria e energia que está presente no seu show?

Eu tiro minha energia do amor que tenho pelo que faço, do amor que tenho com o público, porque se eu não tenho amor e alegria, como eu vou repassar? A gente não pode transmitir o que não tem.

Como foi o início de sua carreira? Como se interessou pela música?

Eu comecei cedo, com 12 anos de idade. No início eu apresentava em praças e também fazia ciranda nos finais de semana, em um restaurante onde eu trabalhava. Quando a pessoa nasce com o dom, não tem jeito, ninguém barra. Meu sonho sempre foi cantar. Em 1977 gravei meu primeiro LP, A rainha da ciranda, queesgotou e eu não tive a oportunidade de regravar. Em 2002 gravei meu primeiro CD, Eu Sou Lia e em 2008 o segundo CD Ciranda de Ritmos.

Qual é a relação da sua família com a música? Você foi a primeira?

Na minha família ninguém canta e ninguém dança, não sabem nem por onde passa. Eu fui a única de 22 irmãos.

Onde você procura inspiração? Como você faz suas composições?

Pra começar a compor, tenho que estar bem calma e tranquila, aí a composição vem. Itamaracá me inspira muito. Quando eu faço composição de ciranda, eu vejo a parte católica e espiritual. A música que eu mais tenho orgulho de ter feito a composição foi Quem me deu foi Lia. Porque foi inspirada em uma pessoa que abriu as portas pra mim, essa música foi uma luta, quando eu tentei gravar no LP de 1977 outra pessoa correu na frente e gravou, então eu não pude gravar minha própria canção, e quando uma coisa é nossa a gente luta e vai até o fim, foi isso que eu fiz, e consegui colocar no meu último CD.

O que o festival Abril Pro Rock significou para você e para sua carreira?

Foi uma maravilha, já pensou Lia no meio dos roqueiros? Foi muito bom. Quando eu recebi o convite pensei: é agora... é agora que a banda vai tocar mesmo, com garra. E foi um sucesso parecia que eu já tinha ensaiado com eles, foi um chamego tão grande que até hoje eu me lembro, tenho muita vontade de tocar de novo. Casou a ciranda com o rock, já pensou? Eu não esperava que fosse tão bom. Pensei que não ia dar em nada mas foi um empurrão na minha carreira.

O jornal The New York Times uma vez falou que você é a "diva da música negra". O que você acha sobre isso?

Eu acho uma maravilha. Quanto mais me valorizam mais eu gosto. Eu adoro, oxênte!

Durante a turnê você viajou bastante, que lugar você gostou mais de conhecer?

Cada lugar me surpreendia de uma forma diferente. Eu adoro sair e levar cultura, voltar com cultura. Eu sempre volto melhor, mais leve. Mas nenhum lugar é igual Itamaracá.

De onde vem a ideia de sua roupa?

Vem de Iemanjá, eu gosto muito de me vestir assim porque Iemanjá é uma corrente muito boa. Tudo que eu quero eu consigo, mas Deus está em primeiro lugar pra mim.

O público demorou pra deixar você se despedir. Como é tocar aqui em São Jorge?

Muito bom, aqui podemos juntar as raízes, os mestres. Foi maravilhoso. Eu queria um convite desse todos os dias (risos). É cultura. Eu gosto de me misturar no meio do povo como uma artista.

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