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Cavaleiro na Estrada

19/10/16 | VocÍ conhece o trabalho da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge?

A Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge é uma instituição sem fins lucrativos que tem como missão promover encontros que valorizem a sociobiodiversidade, possibilitando a troca de saberes e fazeres. Um dos principais projetos da instituição é o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, realizado todos os anos na segunda quinzena de julho com a participação de grupos de cultura tradicional, povos indígenas, estudantes, jornalistas e pesquisadores em uma grande festa de celebração da diversidade cultural do Brasil.

Este evento consagrou a casa como um Pontão de Cultura em 2016, através do edital Cultura de Redes, do Ministério da Cultura, premiando o projeto “Rede Encontro de Culturas & Aldeia Multiétnica: 15 anos de colaboração cultural”, na categoria nacional. O edital de chamamento público contemplou 20 iniciativas que tinham como objetivo o fortalecimento de redes que articulam iniciativas culturais em pelo menos cinco estados.

Esta não é a primeira vez que o projeto é premiado. Recentemente obtivemos duas premiações importantes no âmbito da promoção e salvaguarda do patrimônio imaterial do Brasil. Em 2014 a “EncontroTeca: A Biblioteca da Cultura Tradicional Brasileira”, que reúne a memória dos 10 anos do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, foi premiada pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) no edital de chamamento público Ponto de Memória 2014. Já em 2015, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, realizado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), contemplou o Encontro como uma iniciativa de excelência em promoção e gestão compartilhada do Patrimônio Cultural.

O que poucos entendem, no entanto, é o desdobramento desse evento para as comunidades e grupos envolvidos. Diferente do que muitos pensam, o evento não tem apenas resultados imediatos e para ser avaliado enquanto ação de rede precisa ter os resultados de médio e longo prazo acompanhados mais de perto. Este ano a premiação de 2015, do Ministério da Cultura, possibilitou a atuação da casa no fortalecimento das redes já existentes e o registro jornalístico da articulação da instituição com esses grupos e coletivos. Você poderá acompanhar tudo isso nos próximos dias por meio da série de reportagens do projeto “Cavaleiro na Estrada tecendo Redes”.

Na agenda de ações deste projeto destacamos grupos localizados em sete estados brasileiro para trabalharmos no período de agosto de 2016 a julho de 2017. São eles:

1. Terno de Moçambique do Mestre Júlio Antônio (MG) 

Seu Júlio, representante da terceira geração do Terno de Moçambique, capitão-mor do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Fagundes, em Minas Gerais, embaixador de folia de reis, guia espiritual e mestre da cultura popular, é um dos poucos mantenedores da língua da Costa Africana que mistura português e banto, antigo idioma das senzalas, e que hoje está restrito a poucos falantes, em sua maioria idosos.

Reconhecido pela qualidade de seu Moçambique, tradição iniciada na região por seu avô que, segundo ele conta, chegou ao Brasil como escravo e, posteriormente, tornou-se feitor, é hoje um dos parceiros da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. Entre as ações de pós-produção desta edição do Encontro de Culturas está o apoio à Festa Tradicional do Reinado de Nossa Senhora do Rosário no último final de semana do mês de setembro, na comunidade de Fagundes, município de Santo Antônio do Amparo, Minas Gerais.

 

2. Povo Indígena Fulni-ô (PE)

Vindos do município de Águas Belas, em Pernambuco, a etnia é conhecida por ser a única do Nordeste brasileiro que mantém viva sua língua-mãe, o Ia-Tê. Este povo possui diversas crenças que incluem a realização de rituais, como o Ouricuri, que dura dois meses e exige a mudança e o isolamento de todo o grupo para uma segunda aldeia por três meses.

Com uma seca de mais de seis anos que devastou sua agricultura de subsistência, este povo passou a ter no artesanato e nas apresentações culturais suas principais formas de manutenção econômica e modo de vida.  Por isso, a Aldeia Multiétnica é também uma atividade estratégica na manutenção do ritual sagrado do Ouricuri. Para os Fulni-ô, julho é considerado o mês da "caça". É quando os homens da etnia procuram trabalhar de forma mais intensa na venda de artesanato para levantar recursos financeiros para a alimentação e sobrevivência durante o período de isolamento.

 

3. Tambores do Tocantins (TO)

O projeto Tambores do Tocantins é dirigido pelo arte-educador Márcio Bello e tem como missão contribuir com a valorização e a preservação da cultura musical tradicional do Tocantins, desenvolvendo atividades de pesquisa, estudo, vivência e prática de tais manifestações, de modo a tornar esses saberes acessíveis ao maior número possível de crianças, adolescentes e jovens estudantes. Atualmente o projeto atende diretamente cerca de 400 pessoas, entre 7 e 24 anos, no município de Porto Nacional.

As atividades desenvolvidas pelo Ponto de Cultura incluem a Banda de Percussão dos Tambores do Tocantins e as oficinas de construção de instrumentos, sonorização e iluminação, produção de cenários e figurinos, produção de áudio e vídeo, tratamento acústico e produção de embalagens de papel.

 

4. Turma Que Faz (GO)

A Turma Que Faz é um projeto da arte-educadora Doroty Marques. Portadora de uma prática pedagógica única, a artista acumula mais de 30 anos de um trabalho sólido que já atingiu mais de 200 mil crianças e jovens e 10 mil professores nos estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso, Amazonas, Pará, Rondônia e Acre.

Em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, realiza um trabalho social por meio de atividades educativas, artísticas, culturais, esportivas e ambientais, que utilizam a arte e o meio ambiente como linguagem sensibilizadora e realizadora. O objetivo é desenvolver o capital humano nas crianças e adolescentes a partir de experiências que promovam a autoestima, a comunicação e a expressão, a convivência familiar e comunitária, o reconhecimento do contexto em que vivem e a consciência ecológica e patrimonial.

 

4. Povo Indígena Kayapó/Mebengôkré (PA)

O povo Kayapó/Mebengôkré vive em aldeias que se localizam no Brasil Central e sua área de abrangência atinge os estados do Pará e do Mato Grosso. Este povo é uma das etnias que participa da Aldeia Multiétnica desde sua criação, com apresentações, vivências e rodas de prosa para não-indígenas e intercâmbio entre etnias, no intuito de garantir a valorização de seus costumes.

Neste ano, realizaram a II Feira Mebengôkré de Sementes Tradicionais, na Aldeia Mojkarakô, TI Kayapó, que a equipe de comunicação do Cavaleiro na Estrada acompanhou e registrou. Participaram indígenas do povo Mebengokré (Kayapó) de 25 aldeias do Pará e do Mato Grosso, 48 Krahô vindos de sete aldeias do Tocantins e cerca de 50 não-indígenas convidados. Mais de 50 variedades diferentes de sementes foram apresentadas. Uma ação fortalecida pelas mesas redondas realizadas com temas ligados à recuperação de sementes tradicionais e ao fortalecimento da autonomia indígena por meio da valorização dos sistemas produtivos tradicionais. Discussões sobre políticas públicas e programas de incentivo à produção agrícola e à gestão territorial e ambiental, além de outras pautas ligadas à causa indígena, geraram uma carta-aberta que foi direcionada ao Poder Executivo.

 

5. Rede Cerrado - Central do Cerrado (DF)

A Rede Cerrado congrega organizações da sociedade civil que atuam na promoção do desenvolvimento sustentável e na conservação do Cerrado. São mais de 300 organizações identificadas com a causa socioambiental no bioma, que representam trabalhadores e trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas, quilombolas, raizeiros, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, entre outros.

 Em paralelo à Rede Cerrado, a Central do Cerrado é uma central de cooperativas sem fins lucrativos estabelecida por 35 organizações comunitárias de sete estados brasileiros (MA, TO, PA, MG, MS, MT e GO) que desenvolvem atividades produtivas a partir do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado. Funcionando como uma ponte entre produtores comunitários e consumidores.

 

6. Sítio Histórico Kalunga (GO)

Do Sítio Histórico Kalunga é que vem um dos principais grupos que integram o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, presente na programação do Encontro desde sua primeira realização, em 2001. Os kalungas são responsáveis pela cerimônia de abertura do evento, com o tradicional hasteamento do mastro do Divino Espírito Santo, apresentação da Sussa e a encenação do Império Kalunga.

Os Kalungas chegaram onde agora é tombado como Sítio Histórico e Patrimônio Cultural - pela lei estadual 11.409, de 21 de janeiro de 1991 - em meados do século 18, quando o estado de Goiás passava por seu período de colonização, marcado pelo garimpo de ouro e cristal de rocha.

Os africanos e seus descendentes criaram um refúgio naquele espaço, protegido por serras, rios e vãos, lutando contra aqueles que os queriam como escravos, mãos-de-obra fortes e baratas, para a construção de um patrimônio que formou o Brasil e a realidade que conhecemos hoje.

O quilombo remanescente Kalunga ocupa 237 mil hectares de cerrado preservado e abriga mais de 8 mil pessoas - em território, é o maior do país. É formado por quatro comunidades - Contenda, Vão de Almas, Vão do Moleque e Ribeirão de Bois -, localizadas nos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás e integradas por pequenos povoados, como o da Barra, Engenho, Riachão e Ema.

 

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