
Sem nunca ter deixado as paragens áridas do cerrado, Moacir, um poeta de traços e cores, desenvolveu uma linguagem visual repleta de simbolismos e personagens do imaginário popular. Pintor e desenhista da Vila de São Jorge, possui uma profícua produção artística. Entretanto, por estar afastado dos grandes centros urbanos e do cenário artístico contemporâneo, nunca teve sua obra exposta numa montagem à altura.
 |
Conheça as obras de Moacir
Clique e veja a galeria de obras do artista plástico Moacir. Os temas, que viajam entre o sagrado e o profano, são a identidade visual do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros desde sua primeira edição. Foto: André Duarte |
Moacir já foi alvo de estudo por especialistas e estudantes, tendo inclusive sido o tema de uma monografia de diplomação de uma aluna do curso de Artes Plásticas da Universidade de Brasília.
Tem 45 anos, nasceu em São Jorge na época dos garimpos. Filho de Seu Domingos Farias, antigo garimpeiro, e Dona Maria, Moacir nunca saiu da vila, onde vive até hoje. Desde o seu nascimento, é envolto numa áurea mística. Quando morava com a família nos garimpos próximos a vila, ele se escondia das pessoas. Só saia às ruas com o rosto e o corpo cobertos, andava mascarado com um tecido sobre si. Evitava o convívio social, quando alguém se aproximava da casa para uma visita, ele pressentia a presença das pessoas e saia de casa, escondendo-se no mato. Esse comportamento fazia com que as pessoas o considerassem um louco (esquizofrênico), pelo comportamento excêntrico. No entanto, o artista já foi submetido à vários exames que comprovam sua sanidade.
Logo cedo demonstrou interesse pela pintura. Começou a pintar com pedaços de carvão, pintando as paredes e papéis que encontrava – sua maneira de se comunicar com o mundo exterior. Moacir garimpou a sua arte no chão do cerrado, em meio aos troncos retorcidos da vegetação nativa.
O rico universo interior do artista pode ser conhecido nas pinturas, nas quais a linguagem imagética transpõe toda o vasto universo onírico onde o profano e o sagrado se encontram e se misturam. Moacir coloriu seu universo interior com o cerrado.
por Jamila Gontijo
|
|