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Moacir Faria

Moacir é o grande artista da Chapada dos Veadeiros, conhecido mundo afora. Valioso, autodidata, confere cores vivas ao cerrado. Suas pinturas retratam o seu imaginário, colorido, intenso, povoado por animais, pessoas, santos e demônios. Ele retrata o que vê e o que viu pelas ruas de terra de São Jorge, onde nasceu e sempre viveu. A contribuição de Moacir à Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge é impalpável. Sua arte é intrínseca ao trabalho e à história da instituição, colore sua essência. Todos os cartazes do Encontro de Culturas são ilustrados com as obras do artista, assim como muitas paredes da sede.

Nascido e criado na vila, é filho de Seu Domingos Farias, antigo garimpeiro, e Dona Maria, dona de casa, ambos já falecidos. Desde pequeno, Moacir vive seu próprio universo. Na infância, se escondia das pessoas e quando saía às ruas era com o rosto e o corpo cobertos por panos. Se alguém o visitava, corria para o mato. O burburinho da vila soava chamando-o de louco, esquizofrênico, o que só aumentou quando começou a retratar seus personagens pelos muros e postes, por todo lado.

No começo, pintava nas pedras, troncos e em papelão, onde encontrava um espaço, usando carvão e a tinta que tirava dos frutos do cerrado. Por conta de problemas na coluna, deixou de criar com a frequência de antes. Mas a inspiração ainda o visita, transformando-se em arte em telas, muros, postes, folhas sulfite.

A arte em diferentes dimensões

A casa de Moacir é um ateliê. Os quadros se espalham pendurados e encostados nas paredes. Na parte externa, as imagens também colorem toda a entrada. Faz as vezes de painel, reciclado de tempos em tempos pelo artista. Em caixas expostas e escondidas, que ele traz vez ou outra para quem tem a sorte de ganhar sua confiança, estão fotos reveladas de obras, que ele mesmo tira, e também teses científicas sobre seu trabalho, que ele apenas admira, já que nunca aprendeu a ler nem a escrever.

A linguagem visual da arte de Moacir é repleta de simbolismos. Alguns personagens se repetem nas pinturas. Mulheres com as pernas abertas, bundas, seios, o sexo explícito. Santos, personagens do imaginário popular e do cerrado goiano. Diabinhos também estão por toda a vila, são figuras marcantes na paisagem de São Jorge. E uma provocação, para deixar as pessoas pensativas, como ele mesmo conta. Na cidade, teorizam que ele havia parado de pintá-los, mas recomeçou quando sua casa foi alvo de pichações contra ele.

Moacir é um homem de mente brilhante e muita pureza. É daqueles que dizem não saber de nada, mas sabem de muito. Se tiver sorte, ele vai gostar de você, abrir a porta e prosear ao seu modo até cansar. E vai revelar uma parte de seu universo interior, onde os personagens “não são de verdade, vêm da cabeça”. E o que é a verdade, quem é que sabe? Verdade é o que sai do coração. E na vida e na arte desse artista de São Jorge ela transborda em variadas cores, formas, reflexões e dimensões.

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