A SUSSA DA COMUNIDADE DO SÍTIO HISTÓRICO CALUNGA - VÃO DO MOLEQUE E VÃO DAS ALMAS

No início do ciclo do ouro, ainda no século XVIII, muitos negros foram trazidos para o interior do Brasil como mão-de-obra escrava, para a garimpagem. Os escravos que se rebelavam contra a exploração dos senhores fugiam das fazendas e escondiam-se entre as montanhas. Assim, nasceram os quilombos da região.

A maior comunidade de remanescentes de Quilombos é a do sítio histórico Kalunga, que abriga cerca de 5 mil pessoas numa área com mais de 250 mil hectares de cerrado, localizada nos municípios de Terezina de Goiás -GO, Monte Alegre -GO e Cavalcante -GO, entre as serras do Vão das Almas, Vão do Moleque, Ribeirão dos Bois e Engenho II.

O termo Kalunga, no sentido que os moradores do Sítio Histórico o concebem, significa “ lugar sagrado que não pode pertencer a uma só pessoa ou família”, ou ainda, um lugar onde nunca seca, arável, sendo bom para as horas de dificuldade. Nesse sentido, a Sussa ( Súcia) – ou Tambor - , ritmo próprio das festas Kalungas, remete para a noção de dança sagrada de pagar promessas, normalmente feitas em pedido de prosperidade da lavoura. Além disso, as festas Kalungas, entoadas ao som dos tambores da Sussa, apresentam ritos bastante complexos, com simbolismos peculiares, tais como o reinado do Imperador, a coroa, a corte em procissão, o mastro, as bandeiras, as espadas, o terço com as ladainhas das rezadeiras, os foguetes e diversos outros motivos folclórico-emblemáticos.

De outra forma, e considerando o sincretismo religioso que caracteriza a cultura brasileira, diz-se que as festas calungas correspondem, em sentido amplo, a folias de Santos Católicos, mesmo apesar de alguns dos santos cultuados, a exemplo de São Gonçalo, o violeiro, não constarem do calendário oficial (litúrgico) da Igreja. De resto, vale lembrar que as festas calungas, tanto no Vão do Moleque quanto no Vão das Almas, acontecem, respectivamente, no dias 15 de agosto e 15 de setembro de cada ano.