A CAÇADA DA RAINHA DAS COMUNIDADES DE COLINAS DO SUL E DO DISTRITO DE CAPELA
Essas duas comunidades são responsáveis pela festa ritualística denominada Caçada da Rainha, que traz ritmos populares como o Batuque e o Lundu, sendo este (Lundum), segundo registros, considerado como o ritmo ancestral da música brasileira, do qual descende o Fado, a despeito dos que lhe defendem a origem lusitana. A Caçada da Rainha começou em Colinas do Sul em 1954, trazida do povoado de Lajes por Herculana da Silva Coelho –a primeira rainha da cidade. Antes de começar a festa, a comunidade local transforma o espaço num cenário propício para receber os Foliões
O ritual acontece na primeira quinzena de julho de cada ano, e consta de onze dias de Folia a cavalo e três de Batuque da Rainha, para a qual há um dia específico, o da sua caçada, precedido por um dia do Imperador e sucedido por um do rei. Durante esse período da festa, duas folias “giram” por entre fazendas dos arredores da região – uma dedicada ao Divino Espírito Santo, e a outra, à Nossa Senhora do Rosário. “Girar”, no sentido proposto pela festa, corresponde a peregrinar de casa em casa, oferecendo serviços religiosos: benção da bandeira, acompanhada do sapateado e das palmas da Catira e da Curraleira. Assim, à frente das casas onde se dão as visitas dos foliões, uma personagem representando o alferes executa gestos em forma de cruz com a bandeira. Logo, os foliões adentram às casas e, diante dos altares montados em seus interiores, cantam, dançam, tocam pandeiros, tambores e violões, tudo em louvor ao santos. Os donos das casas retribuem com comida, bebida e hospedagem para os devotos foliões .
Embora os integrantes da comunidade tenham raízes africanas, pois são, em sua maioria, remanescentes dos escravos da mineração do ouro; as folias são festas populares e religiosas herdadas de Portugal, onde foram estabelecidas nas primeiras décadas do século XIV, pela Rainha D. Isabel, casada com o Rei D. Diniz de Portugal.
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